Como aplicar o framework

Da página em branco à visão comum.

O Clara/EA não começa com um modelo pronto trazido de fora. Começa em branco — mesmo quando a empresa já existe — e evolui em ciclos sucessivos, em espiral, até que camadas, domínios, entidades, processos e relacionamentos sejam entendidos da mesma forma por quem vive a operação.

O ponto de partida

Sempre uma página em branco

Não se importa um modelo pronto de outra empresa, nem se preenche um template genérico. O Clara/EA se constrói junto com quem vive a operação — e isso vale tanto para mapear uma empresa que já existe quanto para discutir a criação de uma nova.

No uso defensivo, a página em branco é deliberada: mesmo onde já existe documentação, começa-se do zero para que o modelo reflita a operação real, não o que ficou registrado anos atrás. No uso greenfield, a página em branco é literal — as camadas são definidas antes de qualquer sistema ser construído, servindo de planta para o crescimento.

"O mais importante não é preencher um template. É construir, com as pessoas certas na sala, uma visão comum do que a empresa é."

O método

Não são etapas lineares. É um ciclo em espiral.

O Clara/EA não se aplica numa sequência única de passos, do início ao fim. Aplica-se em várias iterações sucessivas — em espiral — que permeiam as camadas repetidas vezes, cada passagem revendo e aprofundando o que a anterior já havia levantado.

1

Discutir

Reúnem-se as partes envolvidas — stakeholders e áreas que participam da dinâmica em questão — para examinar uma camada, um domínio, um subdomínio.

2

Entender em comum

A discussão busca uma única coisa: que todos enxerguem da mesma forma as entidades, os processos e os relacionamentos daquela camada — não a opinião de quem fala mais alto.

3

Registrar

Tudo o que se entende em comum é registrado — hoje, no EA/CMDB. Não para burocratizar a conversa, mas para que a próxima iteração comece de onde esta parou, não do zero.

O ciclo se repete camada a camada, domínio a domínio — cada passagem mais rápida que a anterior, porque parte do que já foi validado, não do zero.

Onde o negócio encontra a tecnologia

Os domínios de TI nascem do ciclo de vida do produto, não do inventário de sistemas

Ao chegar na arquitetura de TI, o ponto de partida não é uma lista de sistemas existentes. É a arquitetura de negócios já mapeada: os domínios e subdomínios de TI são identificados a partir da análise dos produtos e serviços e dos processos envolvidos em seu ciclo de vida — porque as soluções existem para suportar esses processos, não o contrário.

É essa cadeia — não o inventário técnico — que determina como os sistemas deveriam estar agrupados e integrados.

Convenção de desenho

Como se desenha um mapa de soluções

A mesma convenção vale para qualquer setor — os Casos de mercado são a prova disso. À esquerda, os domínios voltados a clientes. No centro, os domínios que nascem do ciclo de vida do produto, na ordem em que ele é estruturado, vendido e liquidado. À direita, os domínios de fontes externas — o que abastece o negócio. Na base, os domínios de suporte e gestão, comuns a qualquer produto.

← Clientes

Canais digitais

App, internet banking e APIs de Open Finance

Atendimento

Agências, central de atendimento e chat

Relacionamento

Cadastro e KYC, segmentação e ofertas

Produtos e ciclo de vida

Estruturar → Precificar → Vender → Analisar crédito → Formalizar → Liquidar → Controlar

Esteiras de originação

Proposta, análise de crédito, alçadas, formalização

Produtos e serviços

Contas, cartões, crédito, investimentos e seguros

Liquidação financeira

PIX, TED, boletos, compensação e cartões

Fontes externas →

Funding e tesouraria

Captação, ALM e gestão de liquidez

Infraestruturas de mercado

SPB/STR, B3, registradoras e bandeiras

Bureaus e parceiros

Bureaus de crédito, correspondentes e dados

Base

Suporte e gestão

Gestão

Riscos, compliance e MIS

Contábil, fiscal e regulatório

Cosif, tributos e envios ao BACEN

Administrativos

RH, compras e jurídico

Exemplo ilustrativo inspirado no setor bancário — não reflete a arquitetura real de nenhuma organização específica.

Modelo de maturidade

Da reação à adaptação

Cinco níveis para avaliar onde uma empresa está — e para onde o método a leva, iteração após iteração.

1

Reativo

Decisões sob pressão, sem modelo explícito. Quando a arquitetura existe, vive na cabeça de poucas pessoas.

2

Organizado

Primeiros mapeamentos registrados, isolados por área. Ainda não há visão comum entre negócio e tecnologia.

3

Estruturado

Camadas e domínios mapeados de forma consistente, com método repetível e um repositório vivo.

4

Integrado

Negócio e tecnologia compartilham a mesma visão em grafo. O impacto de uma mudança é analisado antes de acontecer.

A meta não é rigidez — é a capacidade de mudar com intenção e rapidez. Em que nível sua empresa está hoje?

Para fechar

O método não termina — ele se repete

Cada iteração da espiral deixa a empresa mais perto da visão comum e mais alto no modelo de maturidade. Para facilitar esse processo, ou para conhecer onde tudo fica registrado, siga em frente.